Olinda nasceu em 1930, numa época em que a vida era dura e as dificuldades, muitas. Filha de Domingas Vieira e Armando Gomes Barbosa, foi nos braços da avó que encontrou colo e orientação. A infância não lhe ofereceu brinquedos ou descanso, mas sim vassouras, água na cabeça e trabalho árduo desde muito cedo.
Com apenas 17 anos, Olinda enfrentou a terrível fome de 1947, um período de seca e escassez que deixou a terra vazia e a barriga das pessoas a reclamar. “Du ka tinha nada di kumé, du ta ferbéba miolu di papaera pa stomagu ka txora”, recorda com voz firme. O milho, alimento básico, era vendido a preço baixo, mas muitos não tinham sequer dinheiro para comprar. Filas longas e perigosas, furtos movidos pela necessidade — a fome mostrava os seus dentes mais cruéis.
Apesar das dificuldades, Olinda soube escolher o amor em meio à razão
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