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Vinho do Fogo (Manecon) – História e o orgulho de uma ilha que cultiva na lava


O Vinho do Fogo, conhecido carinhosamente por manecon, é muito mais do que uma bebida tradicional: é a expressão da ligação profunda entre o povo do Fogo e a sua terra vulcânica. Produzido nas encostas e nas planícies negras da Chã das Caldeiras, o manecon carrega séculos de história e resistência.

As origens da produção de vinho no Fogo


A introdução da vinha na ilha do Fogo remonta ao período da colonização portuguesa, no século XVII. Foram os colonos que trouxeram as primeiras videiras e iniciaram as plantações nas zonas de altitude, sobretudo em Chã das Caldeiras, onde o solo vulcânico revelou-se ideal.

Inicialmente, a produção destinava-se ao consumo local e a pequenas trocas comerciais entre as ilhas. Com o tempo, os habitantes do Fogo — descendentes de colonos, africanos e outros povos que se estabeleceram na ilha — desenvolveram técnicas próprias de cultivo e de vinificação. A vinha passou a ser um elemento central na economia de subsistência e na cultura alimentar da ilha.

O vinho produzido era (e é) conhecido pelo seu sabor forte e ligeiramente áspero, com características que refletem o solo onde nasce: rico em minerais e moldado pelo vulcão. O manecon era presença obrigatória nas festas religiosas, bandeiras e grandes encontros familiares.

Os protagonistas: famílias e cooperativas

Ao longo da história, a produção de vinho esteve associada sobretudo a pequenos produtores, muitas vezes famílias inteiras que dedicavam gerações ao cultivo da vinha e à produção artesanal. Entre as figuras mais marcantes da vitivinicultura no Fogo destacam-se nomes como:

  • Família Montrond, descendente do francês Armand Montrond, que se estabeleceu na ilha no século XIX e introduziu novas práticas agrícolas em Chã das Caldeiras. Os Montrond foram pioneiros na organização da produção de vinho e na plantação sistemática da vinha no sopé do vulcão.

  • Família Alcindo e Família Marisa, ligadas às conhecidas casas de acolhimento e produção de vinho em Chã das Caldeiras (Casa Alcindo e Casa Marisa). Estas famílias são, hoje, referências na preservação da tradição e na hospitalidade associada ao vinho.

  • Cooperativa dos Produtores de Vinho de Chã das Caldeiras, criada na década de 1980, representa dezenas de pequenos agricultores. A cooperativa desempenha um papel essencial no escoamento, certificação e promoção do vinho, além de ter liderado os esforços de recuperação após a destruição causada pela erupção vulcânica de 2014.

Atualmente, o vinho do Fogo é comercializado dentro e fora da ilha e começa a ganhar reconhecimento no arquipélago e entre visitantes estrangeiros. A produção continua a ser maioritariamente artesanal, embora com algumas melhorias na técnica graças ao apoio de organismos estatais e de projetos de desenvolvimento rural.

Além do manecon tinto — o mais tradicional — há hoje produtores que investem também em vinhos brancos e rosés, licores e até aguardentes feitas a partir das uvas do vulcão. As visitas às adegas, as provas e os passeios pelos vinhedos são agora parte da oferta turística, com impacto positivo na economia local.

O manecon não é só um produto: é parte viva da identidade do Fogo. Produzido em condições únicas no mundo, entre pedras de lava e cinzas férteis, o vinho do Fogo simboliza a persistência de um povo que, geração após geração, soube tirar riqueza de uma terra difícil e transformá-la em orgulho e sabor.


Conheça Eduino Lopes, um dos produtores de vinho na ilha do fogo









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